Deveres do Estado em tempos de carestia (Rio de Janeiro, 1850-1860)
Resumo
Na década de 1850, o Rio de Janeiro enfrentou uma longa crise de carestia, que pôs em debate qual o papel a ser desempenhado pelo Estado numa conjuntura na qual a população não tinha assegurado o acesso aos gêneros essenciais. A proposta do artigo é analisar esse debate com base nas divergências entre o governo central e a municipalidade acerca dos valores e interesses que deveriam pautar a organização do mercado de alimentos. O trabalho também pretende abordar o confronto entre diferentes modelos de regulação do mercado, o declínio do paternalismo como mediação institucional das relações sociais, a preocupação das autoridades com os clamores da opinião pública, assim como o enfrentamento da crise pelos trabalhadores da cidade.
Palavras-chave
Estado imperial, Câmara Municipal, Rio de Janeiro
Biografia do Autor
Juliana Teixeira Souza
Doutora em História Social pela UNICAMP, Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Referências
- AGUIAR, Marta; REIS, João José. Carne sem osso e farinha sem caroço: o motim de 1858 contra a carestia na Bahia. Revista de História. São Paulo: Humanitas / FFLCH / USP, n. 135, 1996, p. 133-160.
- BICALHO, Maria Fernanda. As Câmaras Municipais no Império português: o exemplo do Rio de Janeiro. Revista Brasileira de História. São Paulo: ANPUH, v. 18, n. 36, 1998, p. 251-296. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-01881998000200011
- CHALHOUB, Sidney. Machado de Assis, historiador. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
- CODIGO DE POSTURAS da Illustrissima Camara Municipal do Rio de Janeiro e Editaes da mesma Câmara. Rio de Janeiro: Eduardo & Henrique Laemmert, 1870.
- GOUVÊA, Maria de Fátima. Redes de poder na América Portuguesa - o caso dos homens bons do Rio de Janeiro, ca.1790-1822. Revista Brasileira de História. São Paulo: ANPUH, v. 18, n. 36, 1998, p. 297-330. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-01881998000200013
- GRAÇA FILHO, Afonso de Alencastro. Os convênios de carestia: crises, organização e investimentos do comércio de subsistência da Corte (1850-1880). Dissertação de mestrado. Departamento de História / Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1991.
- IGLÉSIAS, Francisco. Vida política (1848-1866). In: HOLANDA, Sergio Buarque de. História geral da civilização brasileira. O Brasil Monárquico. Reações e transações. Tomo II, v. 3. 4ª ed. São Paulo: Difel, 1982.
- LINHARES, Maria Yedda. História do abastecimento: uma problemática em questão (1530-1918). Brasília: Binagri, 1979.
- LOBO, Eulália Maria Lahmeyer. História do Rio de Janeiro: do capital comercial ao capital industrial e financeiro. v. 1. Rio de Janeiro: IBMEC, 1978.
- MATTOS, Ilmar Rohloff de. O tempo saquarema: a formação do Estado imperial. 5ª ed. Rio de Janeiro: Hucitec, 2004.
- MELLO, Evaldo Cabral de. A fronda dos mazombos: nobres contra mascates – Pernambuco (1666-1715). São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
- PEREIRA, Magnus Roberto de Mello. Almuthasib: considerações sobre o direito de almotaçaria nas cidades de Portugal e suas colônias. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 21, n. 42, 2001, p. 365-395. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-01882001000300006
- THOMPSON, Edward Palmer. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. 2ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
- VITORINO, Artur José Renda. Escravismo, proletários e a greve dos compositores tipográficos de 1858 no Rio de Janeiro. Cadernos AEL: sociedades operárias e mutualismo. Campinas: UNICAMP, v. 6, n. 10/11, 1999.