A Fazenda de Santa Cruz: sua importância para o comércio de abastecimento da cidade do Rio de Janeiro no período joanino (1808 – 1821)
Resumo
Durante o período em que esteve nas mãos dos jesuítas, a fazenda de Santa Cruz foi uma das mais importantes no comércio de abastecimento do Rio de Janeiro, principalmente no que diz respeito ao gado e à agricultura, cana, arroz, café e mandioca, por exemplo. A fazenda possuía um total de 10 léguas (seis de comprimento e quatro de largura). Grande parte das terras era utilizada para a criação de gado vacum, uma de suas principais funções. Tanto no tempo dos jesuítas, quanto no vice-reinado e no período joanino, a criação destinava-se ao abastecimento da cidade do Rio de Janeiro de carne verde. Em razão de sua extensão e da quantidade de currais, era aproveitada também para abrigar o gado vindo de outras capitanias para ser abatido ou leiloado. Com a expulsão dos jesuítas no reinado de D. José I, sob a administração do secretário Sebastião José de Carvalho e Melo, depois conde de Oeiras e marquês de Pombal, em 1759 esta próspera fazenda passou à administração do governo português. Percebe-se, a partir de então, um nítido declínio de suas funções. Várias são as administrações, nenhuma entretanto que conseguisse alcançar a prosperidade que lhe fora peculiar durante a fase dos jesuítas. Com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, a sede da fazenda passa a ter a designação de palácio e torna-se um dos locais prediletos de D. João VI, mas, ainda assim, continua sua caminhada rumo
Palavras-chave
abastecimento, Rio de Janeiro, período joanino
Biografia do Autor
Georgia da Costa Tavares
Mestre em História Social, subgerente da Documentação Escrita do Arquivo da Cidade.
Referências
- ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil: por suas drogas e minas. São Paulo: Edusp, 1982.
- BOXER, Charles R. A idade de ouro do Brasil: dores de crescimento de uma sociedade colonial. 5. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1969.
- COARACY, Vivaldo. Memórias da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: José Olympio, 1955.
- FALCON, Francisco José Calazans. A época pombalina. São Paulo: Ática, 1982.
- FRAGOSO, João; FLORENTINO, Manolo. O arcaísmo como projeto: mercado atlântico, sociedade agrária e elite mercantil no Rio de Janeiro, c.1790–c.1840. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.
- FREITAS, Benedicto. Santa Cruz: fazenda jesuítica, real e imperial. 3 v. Rio de Janeiro: Asa Artes Gráficas, 1985.
- FURTADO, Júnia Ferreira. Homens de negócio: a interiorização da metrópole e do comércio nas minas setecentistas. São Paulo: Hucitec, 1999.
- GERSON, Brasil. História das ruas do Rio. 5. ed. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 2000.
- LEITE, Serafim. História da Companhia de Jesus no Brasil. Rio de Janeiro: Acervo da Biblioteca Nacional, Seção de Obras Raras.
- ______. História da Companhia de Jesus no Brasil. 6 t. caps. I, II, III, IV. Rio de Janeiro: Acervo da Biblioteca Nacional, Seção de Obras Raras.
- LENHARO, Alcir. As tropas da moderação. 2. ed. Rio de Janeiro: Biblioteca Carioca, 1992.
- PEIXOTO, Léa Quintiere Cortines. Principais antigos caminhos fluminenses para as Minas Gerais. Rio de Janeiro: Imprensa Estadual, 1951.
- SANTOS, Francisco de Agenor Noronha. As freguesias do Rio antigo (1875–1954). Rio de Janeiro: O Cruzeiro, 1965.
- FAZENDA NACIONAL DE SANTA CRUZ. Ministério do Império – Casa Imperial – Fazenda de Santa Cruz. Caixa 507, Pc. 02 (1801–1817) e Pc. 03 (1816–1848).
- JUNTA DO COMÉRCIO, AGRICULTURA, FÁBRICAS E NAVEGAÇÃO. Contadoria da Junta do Comércio. Códice 173, vol. 1 (1810–1827).
- JUNTA DO COMÉRCIO, AGRICULTURA, FÁBRICAS E NAVEGAÇÃO. Junta do Comércio, Estradas, Pontes e Canais, Despesas e Relatórios sobre obras. Caixa 443, Pc. 01.
- MINISTÉRIO DA FAZENDA. Registro de avisos e portarias da Junta da Fazenda Real – Real Erário – Tesouro Público. Códice 142, vol. 1.