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A Fuga dos bichos ou a origem da loteria mais popular do Brasil

Resumo

Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, 3 de julho de 1892. Neste domingo do inverno carioca foram inaugurados vários divertimentos no jardim zoológico de propriedade do sr. João Baptista de Vianna Drummond, o Barão de Drummond. Ao passar pelos portões de entrada do zoológico, o visitante recebia um tíquete. Neste bilhete estava impressa a figura representando um animal. Colocada a cerca de 3 metros de altura em um poste próximo à entrada do jardim, havia uma caixa de madeira. Dentro dela estava escondida a gravura de um animal, escolhida entre uma lista de 25, incluindo o avestruz, a vaca, a borboleta e o crocodilo, entre outros. Neste domingo, às 5 da tarde, a caixa foi aberta pela primeira vez e todos puderam descobrir a identidade dos ganhadores do prêmio de 20$000, vinte vezes o valor pago pelo ingresso. Tendo recebido a liberdade, o avestruz pôde fazer a felicidade de 23 sortudos visitantes. Alguns dias depois de sua criação, a novidade passou a ser tratada como escândalo e o jogo do bicho foi posto na ilegalidade em abril de 1895. Proibido por lei, continuou existindo como loteria ilegal. Por esta época os animais já haviam “pulado” os muros do zoológico do barão e construído uma vida nas ruas da cidade. Logo incorporado ao mercado de loterias existentes, o jogo do bicho passou a ser intensamente explorado por book-makers, nos armazéns de secos e molhados, nos quiosques, nos mais diversos estabelecimentos comerciais e pelos vendedores ambulantes, e perseguido pela Polícia.

Palavras-chave

Jogo do bicho, jardim zoológico, civilização, Rio de Janeiro, loteria

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Biografia do Autor

Felipe Magalhães

Professor adjunto (visitante) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).


Referências

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