Descrição arquivística e produção de memórias sociais: os instrumentos de pesquisa como materialidades discursivas
Resumo
Os instrumentos de pesquisa arquivísticos são tradicionalmente compreendidos como produtos técnicos da descrição arquivística destinados à representação e ao acesso aos documentos. Mas, à luz da Análise do Discurso francesa e dos estudos da Memória Social, revelam-se dispositivos simbólicos que participam da construção de narrativas sobre o passado. Este artigo analisa esses instrumentos como materialidades discursivas produtoras de efeitos de sentido sobre os acervos e constitutivas das memórias sociais. A pesquisa, de caráter teórico-conceitual, fundamenta-se nas contribuições de Michel Pêcheux, Eni Orlandi e outros autores da Análise do Discurso, articuladas às reflexões de Maurice Halbwachs, Michael Pollak, Aleida Assmann, Andreas Huyssen, Beatriz Sarlo e Myrian Sepúlveda dos Santos. Argumenta-se que a descrição arquivística é uma prática discursiva institucionalizada que organiza formas de inteligibilidade do passado, estabelece quadros de memória e influencia a apropriação social dos documentos. Conclui-se que os instrumentos de pesquisa atuam como dispositivos de mediação entre documentos, instituições e públicos, participando da produção da memória social e da memória discursiva.
Palavras-chave
descrição arquivística; instrumentos de pesquisa; memória social
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