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“Irregular, ilegal e anormais”: O estigma como política de Estado e a remoção de favelas no Rio de Janeiro pela CHISAM (1968-1973)

Resumo

O objetivo deste é discutir os interesses por trás do programa de remoções executado pelo Estado, governos federal e estaduais (Guanabara e antigo Rio de Janeiro), através da CHISAM, de 1968 a 1973. A partir de fontes pouco ou nada trabalhadas anteriormente, vemos que o programa remocionista se tratava de um “plano diretor” para a cidade, ainda que elitista e autoritário. Mais do que expulsar os favelados das áreas centrais do Rio de Janeiro, as remoções se inseriam num projeto de normalização do espaço urbano, dentro de uma lógica de modernização capitalista, quando a favela, cuja “funcionalidade” permitiu tolerá-la enquanto havia uma expansão imobiliária a ser mantida por mão de obra barata disponível, tornara-se um entrave, já que havia imensos terrenos “fora” dessa lógica. A “utilidade” para os favelados passara, então, a ser em conjuntos habitacionais nas novas Zonas Industriais, para que as indústrias tivessem mão de obra residindo próximo, conforme estudos e recomendações de órgãos ligados à indústria na época. Por outro lado, as áreas “liberadas” das favelas serviriam para empreendimentos imobiliários para a classe média (no caso da Zona Sul) e para instalação ou ampliação de fábricas (no caso da Zona Norte).

Palavras-chave

Favelas, remoção, conjuntos habitacionais

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Biografia do Autor

Mario Sergio Brum

Doutorando em História Social/PPGH/UFF.


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