A Avenida das Nações na Exposição do Centenário da Independência do Brasil (1922)
Resumo
Este artigo explora a participação estrangeira na Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, realizada entre 1922 e 1923. Buscamos compreender o contexto que levou à participação dos treze países que ocuparam um espaço na Avenida das Nações da Exposição, as mudanças nos planos de localização dessas representações, e como a arquitetura dos pavilhões buscava representar cada uma dessas nações. Concebidos após a Primeira Guerra Mundial, num momento de nacionalismos exacerbados, os projetos podem ser agrupados em três linguagens principais: a arquitetura acadêmica eclética, algumas vezes de perfil mais clássico – caso dos protagonistas europeus – a arquitetura mais tradicional, buscando inspiração em técnicas vernaculares – caso do Japão e das nações nórdicas – e a arquitetura neocolonial, movimento então pujante entre os países americanos. Exibindo tal diversidade, a exposição brasileira, primeira após o conflito mundial, expunha de forma clara a encruzilhada da arquitetura no início do século XX, quando a modernidade e o cosmopolitismo apontavam alternativas à secular influência da academia europeia sobre a arquitetura dos Estados Nacionais.
Palavras-chave
Arquiteturas Nacionais, Exposição Internacional do Centenário da Independência, Pavilhões estrangeiros
Biografia do Autor
Niuxa Dias Drago
Doutora em em Artes Cênicas pela UNIRIO e professoa da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - UFRJ.
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