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A epopeia dos golfinhos do Cais do Valongo

Resumo

Este artigo tem como objeto de estudo as esculturas em bronze de dois golfinhos que compunham o Cais do Valongo por volta da segunda metade do século XIX até o início do XX. A partir da perspectiva da Biografia do Objeto, organizamos o artigo em quatro segmentos. No primeiro, tratamos dos precedentes, em que apresentamos o espaço no qual as esculturas dos golfinhos surgiram, o Valongo, no período que antecede e explica as suas transformações, entre 1835 e 1843, ou seja, antes do desembarque da imperatriz Teresa Cristina em 4 de setembro de 1843. Centramo-nos, a seguir, na gestação das esculturas, abordando sua concepção material e simbólica, atentando, respectivamente, para a sua autoria e referências imagéticas da Antiguidade. Após, nos debruçamos sobre a instalação das esculturas dos golfinhos no Cais do Valongo com base na documentação de época (arquivos, periódicos e imagens). Por fim, discorremos sobre sua trajetória desde seu deslocamento do Valongo até revelarmos uma contribuição inédita dessa pesquisa: a atual localização dos golfinhos. Dessa forma, em última instância, a partir daquilo que chamamos de “epopeia dos golfinhos”, defendemos a tese de que o Cais do Valongo, redescoberto pelas escavações de 2011, não foi erigido para a recepção da imperatriz Teresa Cristina, mas, sim, construído e ornamentado para ser os novos Cais e Praça do Valongo (ou mais precisamente, Praça 10 Municipal do Valongo), atendendo à demanda da população local, e desvelar, dessa forma, um dos momentos da complexa e diversificada história da região do Valongo.

Palavras-chave

Cais e Praça do Valongo, Cais da Imperatriz, Esculturas de Golfinhos

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Biografia do Autor

Deivid Valério Gaia

Doutorado em História pela École des Hautes Études en Sciences Sociales e pela Universidade de São Paulo Professor Adjunto de História Antiga da UFRJ.

Regina Maria da Cunha Bustamante

Doutorado em História Social pela UFF. Professor Adjunto de História Antiga da UFRJ .


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