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A institucionalização da fonografia e o papel da Discoteca Pública do Distrito Federal na construção de um ouvinte brasileiro nos anos 1940

Resumo

Esse artigo tem como objetivo compreender a Discoteca Pública do Distrito Federal, criada no governo municipal de Henrique Dodsworth em 1941, a partir de sua inserção em uma cultura fonográfica institucional. Esta será relacionada com as discussões nacionais e internacionais, desenvolvidas nos anos 20 e 30, referentes ao uso da tecnologia fonográfica como forma de preservar e divulgar sonoridades características e significativas para as nações. No Brasil, a questão ganharia feições de confronto quando grupos associados a instituições musicais e outros atores ligados a modos tradicionais de registro cultural, baseados em um mundo da escrita e da ciência ocidental, se uniram, junto a governos municipais, e colocaram em prática projetos relativos a discotecas públicas, que se formaram como uma trincheira de oposição a uma cultura fonográfica que florescia fora de antigos controles institucionais. Assim, a discoteca carioca surgiria com o propósito fundamental de orientar escutas, construindo ouvintes ideais para o presente e futuro do Brasil.

Palavras-chave

Discoteca pública, fonografia, política cultural

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Biografia do Autor

Denise da Silva de Oliveira

Mestre em História Social e doutoranda em Ciência da Informação (UFRJ/IBICT).


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