Ir para o menu de navegação principal Ir para o conteúdo principal Ir para o rodapé

Absolutismo ilustrado e formação do imaginário imperial brasileiro no Antigo Regime (1750-1820)

Resumo

Este artigo analisa como o projeto imperial luso-brasileiro, reconfigurado a partir da América Portuguesa, partia do diagnóstico de um contraste brutal: de um lado, um imenso território, cuja abundância em riquezas naturais poderia fazer da monarquia mais poderosa do mundo. De outro, escassez de população e ausência de povo geravam um impasse que deveria ser resolvido a partir de uma solução política. As condições políticas e sociais vigentes na América, somadas ao imaginário da alta burocracia monárquica, impuseram a necessidade de uma adaptação do ideário político do absolutismo ilustrado para a formação do imaginário imperial brasileiro. Nesse sentido, a transposição e adaptação do reformismo ilustrado português atua como fórmula de superação do atraso colonial e como elemento central para a posterior configuração de um imaginário imperial brasileiro.

Palavras-chave

Absolutismo ilustrado, antigo regime, imaginário imperial brasileiro

PDF

Biografia do Autor

Christian Edward Cyril Lynch

Professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ) . Pesquisador da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e presidente do Instituto Brasileiro de História do Direito (IBHD). Editor da Revista Insight Inteligência.


Referências

  1. ALVERNE, Frei Francisco do Monte. Obras oratórias. Nova edição. Tomo segundo. Rio de Janeiro, Garnier, 1908.
  2. ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil. 3ª. Edição. Belo Horizonte, Itatiaia,1982.
  3. BARBOZA FILHO, Rubem. Tradição e artifício: iberismo e barroco na formação americana. Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2000.
  4. BRANDÃO, Ambrósio Fernandes. Diálogo das grandezas do Brasil. São Paulo, Editora Melhoramentos, 1977 [1618].
  5. CÂMARA DOS DEPUTADOS, Autos da Devassa da Inconfidência Mineira. Volume I. Brasília, Câmara dos Deputados, 1986
  6. CARDOSO, Ciro Flamarion Santana. A crise do colonialismo luso na América portuguesa (1750-1822). In: Maria Yedda Linhares (org). História geral do Brasil. Nona edição. Rio de Janeiro, Elsevier, 1990, pp. 113-119.
  7. CARVALHO, José Murilo. A construção da ordem: a elite política imperial. 2ª. Edição, revista. Rio de Janeiro, UFRJ/Relume Dumará, 1996.
  8. _____. O motivo edênico no imaginário social brasileiro. Revista Brasileira de Ciências Sociais, volume 13 nº 38, São Paulo, outubro de 1998. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-69091998000300004
  9. COSTA, João Severiano Maciel da. Memória sobre a necessidade de abolir a introdução dos escravos africanos no Brasil; sobre o modo e condições com que esta abolição se deve fazer; e sobre os meios de remediar a falta de braços que ela pode ocasionar. Coimbra, Imprensa da Universidade, 1821.
  10. CUNHA, Luís da. Testamento político ou Carta escrita pelo grande D. Luís da Cunha ao Senhor Rei D. José I antes de seu governo, o qual foi do Conselho dos Senhores D. Pedro II e D. João V, e seu Embaixador às cortes de Viena, Haia e de Paris, onde morreu em 1749. Introdução de Nanci Leonzo. São Paulo, Alfa Ômega, 1976.
  11. COUTINHO, José Joaquim da Cunha de Azeredo. Obras econômicas de Azeredo Coutinho (1794-1804). São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1966.
  12. FUNCHAL, Marquês de. O conde de Linhares: Dom Rodrigo Domingos Antônio de Sousa Coutinho. Lisboa, Tipografia Bayard, 1908.
  13. GUERRA, François-Xavier. Modernidad y independencias: ensayos sobre las revoluciones hispánicas. Madrid, Ediciones Encuentro, 2009.
  14. GUIMARÃES, Manoel Luiz Salgado. As luzes para o Império: história e progresso nas páginas de O Patriota. In: Lorelai Kury (org). Iluminismo e império no Brasil: O Patriota (1813-1814). Rio de Janeiro, FIOCRUZ, 2007. DOI: https://doi.org/10.7476/9788575416037.004
  15. KURY, Lorelai. Descrever a pátria, difundir o saber. In: Lorelai Kury (org). Iluminismo e império no Brasil: O Patriota (1813-1814). Rio de Janeiro, FIOCRUZ, 2007. DOI: https://doi.org/10.7476/9788575416037
  16. LYNCH, Christian Edward Cyril Lynch. Saquaremas e luzias: a sociologia do desgosto com o Brasil. Revista Insight Inteligência (Rio de Janeiro), n. 55, p. 21-37, 2011.
  17. LYRA, Maria de Lourdes Viana. A utopia do poderoso Império: Portugal e Brasil, bastidores da política: 1798-1822. Rio de Janeiro, Sette Letras, 1994.
  18. LYRA, Maria de Lourdes Viana. A transferência da Corte, o Reino Unido e a ruptura de 1822. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 168 (436), jul/set. 2007.
  19. MARTINS, William de Souza. O púlpito em defesa do Antigo Regime: a oratória franciscana na Corte joanina. Tempo vol.17 no.31. Niterói, 2011, pp. 117-144. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-77042011000200006
  20. MAXWELL, Kenneth. Marquês do Pombal: paradoxo do Iluminismo. Tradução de Antônio de Pádua Danesi. 2a. edição. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1997.
  21. _____. A devassa da devassa: a inconfidência mineira. Brasil-Portugal – 1750-1808. 5a. Edição. Tradução de João Maia. São Paulo, Paz e Terra, 2001.
  22. MENEZES, Lená Medeiros de. Relações internacionais: mudanças nos dois lados do Atlântico (1801-1821). Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 168 (436), jul/set. 2007.
  23. MONTEIRO, Nuno Gonçalo. Poder senhorial, estatuto nobiliárquico e aristocracia. In: MATTOSO, José (org.). História de Portugal. Quarto volume: O Antigo Regime. Lisboa, Editorial Estampa, 1998.
  24. MOREL, Marco. Pátrias polissêmicas: república das letras e imprensa na crise do império português na América. In: Lorelai Kury (org). Iluminismo e império no Brasil: O Patriota (1813-1814). Rio de Janeiro, FIOCRUZ, 2007. DOI: https://doi.org/10.7476/9788575416037.002
  25. POMBAL, Sebastião de Carvalho e Melo, marquês do. Memórias secretíssimas do marquês de Pombal e outros escritos. Lisboa, Publicações Europa-América, 1984.
  26. POMBO, Nívea. Um turista na Corte do Piemonte: dom Rodrigo de Souza Coutinho e o iluminismo italiano e francês (1778-1790). Vária História, Belo Horizonte, vol. 25, nº 41, janeiro/junho de 2009. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-87752009000100011
  27. ______. Dom Rodrigo de Sousa Coutinho: pensamento e ação político-administrativa no Império português (1778-1812). São Paulo, Hucitec, 2015.
  28. RAMOS, Rui; SOUSA, Bernardo Vasconcelos e; e MONTEIRO, Nuno Gonçalo. História de Portugal. Lisboa, A esfera dos livros, 2009.
  29. ROSANVALLON, Pierre. O liberalismo econômico: história da ideia de mercado. Tradução de Antonio Penalves Rocha. Bauru, EDUSC, 2002.
  30. SAMPAIO, Antônio Carlos Jucá de. Famílias e negócios: a formação da comunidade mercantil carioca na primeira metade dos setecentos. In: João Luís Ribeiro Fragoso; Carla Maria Carvalho de Almeida; e Antônio Carlos Jucá Sampaio. Conquistadores e negociantes: história de elites no Antigo Regime nos trópicos. América lusa, séculos XVI a XVIII. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2007.
  31. SANTOS, Luís Gonçalves dos. Memórias para bem-servir à história do reino do Brasil. Livraria Rio de Janeiro, Editora Zélio Valverne, 1943.
  32. SILVA, Ana Rosa Cloclet da. Inventando a nação: intelectuais ilustrados e estadistas luso-brasileiros na crise do Antigo Regime português. São Paulo, Hucitec, 2006.
  33. SOUSA, Gabriel Soares de. Tratado descritivo do Brasil em 1587. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1938.
  34. SOUSA, Laura Mello e. O sol e a sombra: política e administração na América portuguesa do século XVIII. São Paulo, Companhia das Letras, 2006.
  35. WEHLING, Arno & WEHLING, Maria José. Direito e justiça no Brasil colonial: o Tribunal da Relação do Rio de Janeiro (1751-1808). Rio de Janeiro, Renovar, 2004, pp. 38-40.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.