Mulheres do samba: Representações de gênero, raça e geração em Clementina de Jesus
Resumo
A partir dos anos 1960, com a áurea de autenticidade colada à sua musicalidade, Clementina de Jesus fora integrada como intérprete ao rol das grandes cantoras brasileiras. Ao concretizar essas lembranças em seu canto e sua mimese, Clementina seria considerada ícone da história de um grupo negro, uma história em muito silenciada e desvalorizada. Junto com Clementina, uma geração de compositores e cantores de samba das periferias urbanas cariocas foi redescoberta e apresentada por um grupo de intelectuais de esquerda para um público de classe média. Clementina enquadra-se nesse modelo pensado pelos intelectuais do samba, que buscaram na cultura popular uma expressão de nossa brasilidade mais autêntica. Contudo, observa-se que esse enquadramento encontrou caminhos próprios daquele pretendido pelos intelectuais da época. A Esse artigo busca analisar as novas representações que recaem sobre o corpo negro de Clementina de Jesus. Como também o seu protagonismo e o agenciamento, a partir do potencial de sua presença de sua voz na mídia e junto ao seu público dos seus shows
Palavras-chave
Clementina de Jesus, Mulheres Negras, Samba, Identidade, Cultura Popular, Representações Sociais, Mediadores
Biografia do Autor
Gabriela Borges Antunes
Doutora em sociologia pelo departamento de Ciências Sociais da UnB.
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