Ir para o menu de navegação principal Ir para o conteúdo principal Ir para o rodapé

Clementina de Jesus, Aparecida Martins e a tradição de mulheres negras sambistas

Resumo

Clementina de Jesus (1901-1987) e Aparecida Martins (1939-1985) são duas mulheres negras, sambistas e partideiras que alcançaram sucesso e o mercado fonográfico durante as décadas de 1960 e 1970 - auge da ditadura civil-militar - com repertórios voltados à valorização da religiosidade de matriz africana. A partir da análise destas duas carreiras, este texto objetiva posicioná-las como mulheres negras que fizeram uso criativo do lugar de marginalidade social articulando arte, educação e trabalho por meio de suas trajetórias como empregadas domésticas e sambistas. Considerando as semelhanças e divergências dos dois percursos artísticos, vislumbra-se a ampliação do conceito de intelectualidade para as experiências das classes trabalhadoras, indicando a pertença de ambas a uma longa tradição de mulheres negras sambistas, demonstrada por carreiras como de Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra, Georgette, Glória Bomfim, Nega Duda, entre outras, também oriundas das classes trabalhadoras e que, por meio da música, afirmaram a herança africana na cultura nacional.

Palavras-chave

Pós-abolição, samba, mulheres negras

PDF

Biografia do Autor

Nayara Cristina dos Santos

Bacharel e Licenciada em História (UFRJ), Mestranda em História, Política e Bens Culturais (CPDOC/FGV), pesquisadora no Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras (UFRJ), Assistente de Projetos no Centro de Memória do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CDM/MPRJ).


Referências

  1. ABREU, Marta; XAVIER, Giovana; MONTEIRO, Lívia; BRASIL, Eric. Cultura negra: Festas, carnavais e patrimônios negros. vol. 1. Niterói: Eduff, 2018.
  2. ALBERTO, Paulina. Termos de Inclusão: Intelectuais Negros Brasileiros no século XX. Campinas: Unicamp, 2018.
  3. COLLINS, Patrícia Hill. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e política de empoderamento. São Paulo: Boitempo, 2019.
  4. CHALHOUB, Sidney. Precariedade estrutural: o problema da liberdade no Brasil escravista (século XIX). In: História Social, 2010, 33-62. DOI: https://doi.org/10.53000/hs.v14i19.315
  5. DAMASCENO, Caetana. Segredos da Boa Aparência: da “cor” à “boa aparência” no mundo do trabalho carioca (1930-1950). Rio de Janeiro: Edur/UFRRJ, 2011.
  6. DAVIS, Angela. Mulheres, Cultura e Política. São Paulo: Editora Boitempo, 2017.
  7. DIAS, João Ferreira. “Chuta que é Macumba”: O Percurso Histórico-Legal da Perseguição às Religiões Afro-Brasileiras. Sankofa. Ano XII, Nº XXII, maio/2019. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.1983-6023.sank.2019.158257
  8. FRIAS, Lena. Rainha Quelé - Clementina de Jesus. Valença: Editora Valença S.A, 2001, p. 81.
  9. GONZALEZ, Lélia; HASENBALG, Carlos. Lugar de Negro. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1982.
  10. HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2003.
  11. KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: Episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
  12. LOPES, Nei; SIMAS, Luiz A. Dicionário da História Social do Samba. 6. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020.
  13. MUNHOZ, Raquel; MARQUESINI, Janaína; CASTRO, Felipe; COSTA, Luana. Quelé, a voz da cor: biografia de Clementina de Jesus. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017.
  14. OLIVEIRA, Maybel. I Festival Mundial de Artes Negras no Senegal: a negritude entre Brasil e Dakar. In: Anais do XVIII Encontro de História da Anpuh-Rio: História e Parcerias, 2018, Rio de Janeiro.
  15. RIO, Ana; MATTOS, Hebe. O pós-abolição como problema histórico: balanço e perspectivas. TOPOI, v. 5, n. 8. P. 170-198, jan/jun. 2004. DOI: https://doi.org/10.1590/2237-101X005008005
  16. SANTANNA, Marilda (org.). As bambas do samba: mulher e poder na roda. 2. ed. Bahia: Edufba, 2019. DOI: https://doi.org/10.7476/9786556301754
  17. SILVA, Carlos. Clementina de Jesus: um corpo cultural, ancestral e da indústria cultural. 2016. 174f. Tese (Doutorado em Ciências da Linguagem) - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Universidade do Sul de Santa Catarina, Florianópolis.
  18. SIMAS, Luiz A. O corpo encantado das ruas. 7. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020.
  19. SODRÉ, Muniz. Samba: o dono do corpo. 2. ed. Rio de Janeiro: Mauad X, 1998.
  20. THEODORO, Helena. Guerreiras do samba. Textos escolhidos de Cultura e Arte Populares. Rio de Janeiro, v.6, n.1, p. 223-236, 2009. DOI: https://doi.org/10.12957/tecap.2009.12170
  21. XAVIER, Giovana. Maria de Lourdes Vale Nascimento: uma intelectual negra do pós-abolição. 1. ed. Eduff, 2020.
  22. XAVIER, Giovana. Você pode substituir mulheres negras como objeto de estudo por mulheres negras contando sua própria história. Rio de Janeiro: Malê, 2019.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.