As potencialidades do acervo do Tribunal Superior do Trabalho
Resumo
O objetivo desse artigo é desenvolver uma reflexão sobre o acervo do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e as possibilidades de pesquisa que ele enseja. Sabe-se que o TST tem uma longeva história que se confunde com a própria história da Justiça do Trabalho (JT), uma vez que essa corte era o antigo Conselho Nacional do Trabalho (CNT), criado em 1923, sendo um dos primeiros órgãos concebidos antes mesmo da estruturação da própria JT. A partir de 1946, o desenho institucional dessa justiça especial veio a ser formado, tal como se apresenta ainda hoje, por três instâncias: o Tribunal Superior do Trabalho (3ª instância), os Tribunais Regionais do Trabalho (2ª instância) e as Juntas de Conciliação e Julgamento, atualmente Varas do Trabalho (1ª instância). Neste trabalho, procuraremos dar centralidade a um estudo sobre as potencialidades do acervo da mais alta corte trabalhista, o TST, que inclui uma rica e antiga biblioteca com livros e periódicos contendo artigos e doutrina jurídica rara e inédita do ponto de vista histórico. Além disso, a instituição conta com três fundos arquivísticos diversos e com um número impressionante de fontes. O artigo visa estimular novas pesquisas com base nessa documentação que vai além de fontes judiciais, tendo como alicerce a concepção de como é acertado e relevante preservar os acervos da Justiça do Trabalho brasileira.
Palavras-chave
Tribunal Superior do Trabalho, Justiça do Trabalho, Acervo
Biografia do Autor
Alessandra Belo Assis Silva
Doutora em História Social pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professora de História no Município de Praia Grande-SP.
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