Ir para o menu de navegação principal Ir para o conteúdo principal Ir para o rodapé

A criação de leis para o trabalho feminino nas indústrias pela municipalidade: as operárias na visão dos intendentes (1917)

Resumo

Neste artigo, tenciona-se contextualizar a criação do decreto nº 1.900, de 24 de dezembro de 1917, regulamentando o trabalho das mulheres nas indústrias da cidade do Rio de Janeiro, promulgado pelo Conselho Municipal do Distrito Federal. Trata-se de compreender a criação de leis para o emprego da mão de obra feminina em estabelecimentos fabris e manufatureiros como sendo parte de um processo que foi impulsionado pelas mobilizações do operariado nas primeiras décadas republicanas. Analisando os debates empreendidos pelos intendentes entre os meses de novembro e outubro a respeito da lei sobre o trabalho das operárias, percebeu-se que seu eixo consistiu nos limites a que o poder público municipal poderia chegar ao intervir nas relações entre empregadores e empregadas. Manifestando os antagonismos de classes presentes no mundo do trabalho, clivados pela ordem patriarcal de gênero, a atuação da municipalidade, no âmbito legislativo, demonstra que o Conselho Municipal acabou por funcionar como um espaço em que os desdobramentos da exploração do trabalho feminino foi arbitrado.

Palavras-chave

Trabalho feminino, municipalidade, leis para o trabalho

PDF

Biografia do Autor

Mayara de Freitas Portilho Silveira

Mestre em História Social pelo Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGHIS - UFRJ).


Referências

  1. ALVIM, Zuleika M. F. A participação política da mulher no início da industrialização em São Paulo. Revista de História, São Paulo, n. 114, pp. 62-84, jun. 1983. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2316-9141.v0i114p61-84
  2. BATALHA, Claudio H. M. A Confederação Operária Brasileira e a sua militância. In: MARQUES, Antonio José; STAMPA, Maria Inez. Arquivos e o direito à memória e à verdade no mundo dos trabalhadores: coletânea do 3º seminário internacional o mundo dos trabalhadores e seus arquivos. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional; São Paulo: Central Única dos Trabalhadores. 2015. pp. 71-89.
  3. BESSE, Susan K. Modernizando a desigualdade: reestruturação da ideologia de gênero no Brasil (1914-1940). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1999.
  4. CAMPOS (1988), Cristina Hebling. Rio e São Paulo – duas cidades; Os trabalhadores nos anos de 1917 a 1919. In: O sonhar libertário: movimento operário nos anos de 1917 a 1921. 1.ed. Campinas: Unicamp, 1988. pp. 25-75.
  5. GOLDMACHER, Marcela. A “greve geral” de 1903: o Rio de Janeiro nas décadas de 1890 a 1910. 2009. 177 f. Tese (Doutorado em História) - Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, 2009.
  6. GOMES, Angela Maria de Castro. Burguesia e trabalho: política e legislação social no Brasil (1917-1937). 1.ed. Rio de Janeiro: Campus, 1979.
  7. HARDMAN, Francisco Foot; LEONARDI, Victor. História da indústria e do trabalho no Brasil. 2. ed. São Paulo: Editora Ática, 1991.
  8. LOBO, Eulália Maria Lahmeyer. Período de desenvolvimento e predominância da economia de plantação do café, 1840-88; O processo de transição da manufatura para a indústria, de 1888 à década de 20 do século XX. In: História do Rio de Janeiro: do capital comercial ao capital industrial e financeiro). 1.ed. Rio de Janeiro: IBMEC, 1978. 2 v. pp. 153-552.
  9. MELLO, Oswaldo Aranha Bandeira de. Evolução científica do direito administrativo. Revista de Direito Administrativo, Rio de Janeiro, v. 83, pp. 1-31, jul. 1966.
  10. MOHAPATRA, Prabhu. A informalidade regulamentada: construções legais das relações de trabalho na Índia Colonial. Cad. AEL, v. 14, n. 26, p. 54-88. 2009.
  11. PENA, Maria Valéria Junho. Mulheres e trabalhadoras: presença feminina na constituição do sistema fabril. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.
  12. PINHEIRO, Paulo Sérgio; HALL, Michael M. O “Quarto” Congresso Operário (1912). In: A classe operária no Brasil (1889-1930): condições de vida e de trabalho, relações com os empresários e o estado. São Paulo: Editora Brasiliense, 1981. v. 2. pp. 253-259.
  13. PIRES, Isabelle Cristina da Silva. Entre teares e lutas: relações de gênero e questões etárias nas principais fábricas de tecidos do Distrito Federal (1891-1932). 2018. 263 f. Dissertação (Mestrado em História, Política e Bens Culturais) - Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais, Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, 2018.
  14. RIBEIRO, Felipe Augusto dos Santos; PIRES, Isabelle Cristina da Silva. A alma da mulher brasileira explodiu em vibrante protesto. Condições de trabalho feminino e formas de resistência em fábricas têxteis do Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX. Trashumante. Revista Americana De Historia Social, n. 12, p. 54-75, 2018. DOI: https://doi.org/10.17533/udea.trahs.n12a04
  15. RODRIGUES, Edgar. Mulheres e anarquia. Rio de Janeiro: Achiamé, 2007.
  16. SAFFIOTI, Heleieth. Gênero patriarcado violência. 2. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2015. p. 57
  17. SARTORI, Vitor. Marx e o Direito do trabalho: a luta de classes, o terreno jurídico e a revolução. R. Katál., Florianópolis, v. 22, n. 2, p. 293-308, maio/ago. 2019. pp. 298-299. DOI: https://doi.org/10.1590/1982-02592019v22n2p293
  18. SILVA, Polyana Alves Almeida da. O protagonismo feminino nas greves de 1917. 2018. 192 f. Dissertação (Mestrado em História Social e da Cultura) - Programa de Pós-Graduação em História, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), São Paulo, 2018.
  19. SOIHET, Rachel. Condição feminina e formas de violência: mulheres pobres e ordem urbana (1890-1920). 1.ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1989.
  20. SOUZA, Flavia Fernandes de. Sob o olhar das autoridades públicas: as tentativas de regulamentação do serviço doméstico. In: Criados, escravos e empregados: o serviço doméstico e seus trabalhadores na construção da modernidade brasileira (cidade do Rio de Janeiro, 1850-1920). 2017. 583 f. (Tese – Doutorado em História) – Programa de PósGraduação em História, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2017. pp. 389-515.
  21. VENÂNCIO, Giselle Martins. Mulher, política e trabalho: contando uma outra história. 1996. 245 f. Dissertação (Mestrado em História Social) – Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 1996. pp. 120-140.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.