Militância feminina no Rio de Janeiro: memória, clandestinidade e revolução
Resumo
Este artigo se propõe a analisar as memórias sobre a militância clandestina de duas guerrilheiras durante a década de 1960: Iara Iavelberg e Dilma Rousseff. Ambas com grande projeção, principalmente entre as esquerdas, têm seus passados de engajamento político lembrados, com frequência, na batalha pela memória sobre a ditadura civil-militar. Objetiva-se, dessa forma, lançar luz sobre as ações desenvolvidas por essas mulheres durante seus períodos de clandestinidade, que tiveram lugar, principalmente, no Rio de Janeiro. A partir disso, é possível compreender como essas militâncias foram rememoradas, além de observar quais fatos mereceram destaque na memória social sobre o período e quais foram esquecidos ou silenciados.
Palavras-chave
Memória, Ditadura civil-militar, Mulheres, Rio de Janeiro
Biografia do Autor
Juliana Marques do Nascimento
Doutoranda em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em História pela UFF e graduada em História pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
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