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O Rio e a Floresta: articulações Huni kuin — Rio de Janeiro-Ayahuasca

Resumo

Este artigo aborda a relação que vem se construindo a partir dos anos 2000 entre mestres huni kuin (Amazônia Ocidental) da ayahuasca — cantores (txana) ou pajés — e habitantes da cidade do Rio de Janeiro interessados nos conhecimentos mediados por esta e outras medicinas da floresta. Acompanhamos brevemente a relação entre indígenas Huni Kuin e religiões ayahuasqueiras no Acre dos anos 1990 e o processo de reavivamento da cultura que deu origem aos festivais pano, centrados no xamanismo, e a presença de visitantes de centros urbanos às aldeias. Em seguida, nos aproximamos dos rituais de nixi pae que passam a acontecer no Rio de Janeiro e proximidades e a seus desdobramentos em alianças e experimentos criativos envolvendo trajetórias pessoais huni kuin e cariocas. Neste processo de idas e vindas, o conhecimento da floresta se transforma na relação com outros conhecimentos, a cultura assume novos contornos, multiplica controvérsias e ganha representação por indígenas e não indígenas na cidade. A própria cidade, importante ator ou actante (LATOUR, 2012) nos processos em curso, faz vazar suas fronteiras, multiplica conexões entre a floresta e a urbe, põe em movimento sujeitos e seus mundos.

Palavras-chave

Huni Kuin, Rio de Janeiro, Cultura

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Biografia do Autor

Maicon Fecher

Mestre em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutorando do Programa de PósGraduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior (CAPES).

Elizabeth Pissolato

Antropóloga e professora/pesquisadora do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFJF.


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