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O duplo cativeiro: escravos e prisões na Corte joanina (Rio de Janeiro, ca. 1790-1821)

Resumo

Este artigo apresenta um estudo sobre o papel de escravos libertos e sentenciados à construção da nova capital do Império português a partir de 1808. Para contarmos esta história, recuamos no tempo até fins do século XVIII. Em concomitância, analisamos diversos aspectos da escravidão urbana e o grau de interferência do Estado nas relações senhor-escravo. Com a expansão urbanística do Rio de Janeiro no início do século XIX, os escravos detidos pelas autoridades policiais foram amplamente utilizados nas obras públicas. Surgia assim o duplo cativeiro. Os escravos passaram a ter dois senhores: o poder privado e o poder público. Além dos cativos, outros agentes sociais estão presentes nesta análise: libertos, homens livres pobres e militares também passaram pelas prisões do Rio de Janeiro, que, neste período, resumiam-se à Cadeia Pública – posteriormente transferida para a prisão do Aljube –, ao Calabouço – destinado somente aos escravos – e às masmorras das diversas fortalezas que circundavam a Baía de Guanabara. A investigação se concentrou nas correspondências da Intendência Geral de Polícia da Corte.

Palavras-chave

Rio de Janeiro, escravidão urbana, sistema prisional

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Biografia do Autor

Carlos Eduardo Moreira de Araújo

Doutorando em História Social pela UNICAMP.


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