Memória e escrita da história iguaçuana: uma análise da prática memorialista pela Arcádia Iguaçuana de Letras – AIL (Nova Iguaçu — 1950-1960)
Resumo
O artigo debate a prática memorialística de membros da Arcádia Iguaçuana de Letras (AIL) na produção da história de Nova Iguaçu, município da Baixada Fluminense, nas décadas de 1950 e 1960. A partir da historicização deste grêmio literário, fundado em 11 de agosto de 1955, a relação entre memorialistas e história será discutida sob a perspectiva da memória enquanto espaço de experiências e possibilidades de acionamento do passado. Com base na operação historiográfica elaborada por um destes árcades, objetiva-se refletir a linguagem escrita e sua função de armazenamento da memória, assim como analisar a produção de sentidos entre o tempo e o ato de lembrar- -se desta literatura. Nesta chave, a analogia entre recordar e esquecer pode elucidar a apreensão da temporalidade por estes intelectuais na elaboração dos signos sobre a cidade. Para isto, serão interrogados fragmentos de Imagens Iguaçuanas, obra produzida pelo árcade Ruy Afrânio Peixoto, em 1962. Através das técnicas de “eternização” das lembranças, pretende-se enumerar os significados usados na construção de um tipo de saber sobre a região. Isto poderá revelar as tensões e aproximações entre “saber local” e seus usos pela historiografia hoje.
Palavras-chave
Memória, Historiografia, Baixada, Memorialistas, Arcádia
Biografia do Autor
Maria Lúcia Bezerra da Silva Alexandre
Mestre em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), doutoranda em História pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/CPDOC) e pesquisadora do Centro de Documentação e Imagem (CEDIM) IM/Campus Nova Iguaçu/ UFRRJ.
Referências
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