Fazenda Jesuítica, Imperial, Nacional de Santa Cruz: da acumulação fundiária à colonização agrícola dirigida (Fazenda Nacional de Santa Cruz, Rio de Janeiro, 1850-1930)
Resumo
Nosso objeto no presente artigo é o uso das terras da antiga Fazenda Santa Cruz, desde a acumulação fundiária, no final do XIX, até o processo de divisão para colonização na década de 1930, para abastecimento do Rio de Janeiro com gêneros alimentícios. Ao longo de nossa reflexão destacaremos aspectos da estrutura fundiária da Fazenda com ênfase em suas terras baixas, em especial na Freguesia de Bananal, município de Itaguaí. O estudo se fará sob a perspectiva da mentalidade possessória que, ao passo que se conservava ao longo dos séculos de existência da Fazenda, criava múltiplas noções sobre a propriedade. Para essa investigação, dialogaremos ainda com estudos recentes sobre história da propriedade e sobre a Fazenda de Santa Cruz, considerando, ainda, o acervo do Almanak Laemmert, inventários post mortem e matérias em periódicos.
Palavras-chave
Fazenda Nacional de Santa Cruz, Itaguaí, direitos de propriedade
Biografia do Autor
Henrique Dias Sobral Silva
Doutorando em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Max Fabiano Rodrigues de Oliveira
Doutorando em História pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
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