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Sacacas, ramadas e esmolações: crenças e práticas religiosas nas comunidades quilombolas no noroeste paraense

Resumo

Nas matas tropicais do noroeste paraense formaram-se, desde o final do século XVIII, comunidades clandestinas compostas, principalmente, por escravos negros que fugiram de fazendas ao longo do Baixo Amazonas. Designados tradicionalmente de “mocambos”, estes lugares remotos são hoje conhecidos como “quilombos”, como resultado de um processo recente de reafirmação étnica e, ao mesmo tempo, de reconhecimento jurídico-político enquanto comunidades com direitos diferenciados. Estabelecendo, ao longo do tempo, uma complexa rede de relações tanto com grupos indígenas vizinhos quanto com vilas e cidades próximas, os mocambos tornaram-se não somente centros de produção importantes (castanha-do-Pará, farinha de mandioca, óleo de andiroba e copaíba), mas também ambientes onde elementos do catolicismo popular (festa de santos, esmolação, ladainhas, procissões e ramadas), da cosmovisão indígena (ação de sacacas e benzedeiros) e, também, rituais de origem afroamazônica (dança do Marambiré) engendraram um universo religioso peculiar. O artigo visa analisar a formação histórica desse conjunto de crenças e práticas religiosas, enfocando, sobretudo, sua importância simbólico-identitária para os quilombolas.

Palavras-chave

Quilombos, Noroeste paraense, Práticas religiosas

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Biografia do Autor

Karl Heinz Arenz

Doutor em História pela Université Paris 4 (Sorbonne-Paris) e Professor de História da Universidade Federal do Pará (UFPA).


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