A atuação do arquivista entre o dever de memória e o desejo de Arquivo
Resumo
O artigo apresenta um cenário de atuação do arquivista num contexto de efervescência da memória, da memória como objeto de desejo, de dever de memória, da patrimonialização e de preocupações com a ordem e a aceleração do tempo, que estariam constituindo para os arquivos um contexto de projeção social. O trabalho do arquivista contribui para sua auto identificação como sujeito e agente da historicidade, como formador da memória e promotor da visão do arquivo como resultado da experiência humana. Se os arquivistas forem capazes de identificar e de se identificar nesse contexto, a proeminência do seu fazer e o poder dos arquivos estarão contribuindo para que a sociedade, por meio dos arquivos, possa identificar-se, produzir sentido, revelar a justiça e tomar conhecimento dos fatos, principalmente os traumáticos e sensíveis.
Palavras-chave
Memória, Arquivos, Arquivista, Sociedade
Biografia do Autor
Bianca Therezinha Carvalho Panisset
Arquivista e Mestre em Gestão de Documentos e Arquivos pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Tecnologista em Ciência & Tecnologia na Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB).
João Marcus Figueiredo Assis
Sociólogo pela Universidade Cândido Mendes (UCAM), Mestre em Memória Social e Documento pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Doutor em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Professor Adjunto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
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