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Com que Roupa? O associativismo recreativo e a questão da moralidade entre os trabalhadores do Rio de Janeiro da Primeira República

Resumo

Em 1938, Luiz Edmundo publicou um livro de memórias intitulado O Rio de Janeiro do meu tempo. Em uma das crônicas ali presentes, chamada “Carnaval de Morro”, o autor tratava do associativismo dançante dos trabalhadores – um fenômeno que tomou o Rio de Janeiro entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, e que teve como resultado o surgimento de dezenas de pequenos clubes destinados à dança por toda a cidade. Centralizando sua análise nos códigos morais que esses clubes afirmavam para si, Luiz Edmundo, com um olhar crítico carregado de preconceitos, descreve com ironia as regras de comportamento e os códigos de conduta que, segundo ele, havia presenciado em um dos bailes oferecidos por uma dessas agremiações – sem ver neles qualquer indício de moralidade que se aproximasse dos padrões morais burgueses. Para além da incompreensão do cronista, no entanto, os estatutos sociais que regiam o funcionamento dessas agremiações mostravam que a moralidade aparecia nelas como um critério básico de afirmação de uma identidade. É a partir da análise e da interpretação desses diferentes códigos morais postos em choque que se constitui este trabalho, numa tentativa de compreender de que modo essas discussões contribuíram para a construção de um padrão moral que seria posto em prática no Estado Novo.

Palavras-chave

Associativismo, Trabalhadores, Moralidade

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Biografia do Autor

Juliana da Conceição Pereira

Bacharel e licenciada em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e Mestranda em História na Universidade Federal Fluminense (UFF).


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