“Negro não pode ser conservador”: a política nos talhos do mercado público do Recife nas décadas finais da escravidão
Resumo
Os talhos do mercado eram representados, ao mesmo tempo, como um covil indecente e um lugar de alto nível de politização. A coexistência espacial da mão de obra livre com a escrava no ofício de talhador era a principal responsável pela demarcação das diferentes representações. Se, por um lado, a convivência com os escravos atrelava identidades sociais negativas aos talhadores livres, por outro, este foi um impulso para sua organização coletiva, que conseguiu tecer alianças com lideranças políticas locais procurando concretizar uma agenda própria em torno de questões relacionadas ao ofício. O artigo busca analisar, portanto, os conflitos em torno dessas representações sociais, as relações entre as duas modalidades de trabalho no contexto urbano e a participação política dos talhadores livres junto às lideranças partidárias, as instituições representativas locais e a imprensa.
Palavras-chave
Cidadania, Trabalhadores, Representação Política
Biografia do Autor
Felipe Azevedo e Souza
Doutorando em História Social do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
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