Escravidão e navegação fluvial: Identidades africanas na cidade do Rio de Janeiro e seus arredores
Resumo
Neste artigo, apresento uma visão panorâmica da cultura dos comandantes, marinheiros, barqueiros e remadores empregados na navegação fluvial que se fazia na Baía de Guanabara, visando as conexões da cidade do Rio de Janeiro e seus arredores durante o século XIX. A pesquisa utilizou diferentes tipos de documentos, como relatos de viajantes, inventários e códices da Polícia da Corte, onde foi possível apurar indícios das identidades africanas representadas na cultura dos marinheiros, bem como identificar algumas das muitas conexões entre a cidade do Rio de Janeiro e o Recôncavo da Guanabara.
Palavras-chave
navegação fluvial, escravidão, identidades, comércio
Biografia do Autor
Nielson Rosa Bezerra
Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), coordenador do Curso de Pós-Graduação em História da África e da Cultura Afro Brasileira na Fundação Educacional de Duque de Caxias (FEUDUC) e colaborador do Museu Vivo do São Bento.
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