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A cidade-capital: a centralidade do Rio de Janeiro no contexto do Império Ultramarino português

Resumo

O artigo tem por objetivo refletir sobre o processo de construção da capitalidade da cidade do Rio de Janeiro, a partir da perspectiva de que tal centralidade não se inicia no século XIX, mas faz parte de um longo processo no qual estão presentes diferentes fatores, sejam eles políticos, econômicos, religiosos ou culturais. A proposta é discutir os meandros da importância conquistada por essa região diante do contexto territorial que formava o Império Ultramarino português através da análise das narrativas de alguns viajantes que percorreram os múltiplos espaços sociais dessa cidade. Com base nesse entendimento, procura-se ressaltar a mudança de status da cidade, após a descoberta de ouro na região das minas e as impressões de alguns viajantes e memorialistas sobre o cotidiano da cidade. Busca-se analisar o contexto em que se fez necessária a mudança do centro político do poder régio, de Lisboa para o Brasil, propondo um deslocamento da ideia que essas transformações têm origem na “época de ouro” da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Discute-se seu estatuto de praça comercial, cujos contatos extrapolavam seus limites “regionais” e alcançavam importantes e longínquas fronteiras atlânticas.

Palavras-chave

Rio de Janeiro, cidade-capital, Império Ultramarino português

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Biografia do Autor

Rosane dos Santos Torres

Licenciada em História pela UERJ. Mestre em História Social pela UERJ. Especialista em História do Brasil Colonial pela FSB/RJ. Professora nas redes pública e privada de ensino .


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