Fogos de artifício à luz do dia: a arquitetura de Antonio Virzi no Rio de Janeiro
Resumo
O sonho do art-nouveau se desvanecera, dando lugar à “arquitetura de barro”, modelada e pintada por aquele prestidigitador exímio que foi Virzi, artista filiado ao “modernismo” espanhol e italiano de então, ambos despojados de qualquer sentido orgânico-funcional e, portanto, destituídos de significação arquitetônica. Contudo, não se deve ajuizar da obra dessa “ovelha negra” da crítica contemporânea, pela fama de mau gosto que lhe ficou e pelo aspecto atual das construções lamentavelmente despojadas, pelos moradores, ao que parece envergonhados, dos complementos originais indispensáveis: as folhagens entrelaçadas às caprichosas volutas de ferro batido do Pagani, e, principalmente, o elaborado desenho da pintura decorativa de sábia composição cromática que as recobria, atribuindo ao conjunto a aparência irreal de um fogo de artifício à luz do dia.
- Lúcio Costa
Em quase todas as culturas existe um mito sobre a captura do fogo e sua domesticação e, em todos eles, o fogo é procurado, não por sua utilidade, mas, sim porque é fascinante.
-Lyall Watson
Referências
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