Ir para o menu de navegação principal Ir para o conteúdo principal Ir para o rodapé

Onde moram os pobres? Representações literárias das habitações populares (Rio de Janeiro, fins do XIX e inícios do XX)

Resumo

As condições de vida das classes trabalhadoras, especialmente, o custo de vida, que incluía a precariedade das condições de moradia, foram um dos pontos prioritários da agenda de muitos intelectuais cariocas do período. As narrativas ficcionais e as crônicas, veiculadas em diversos periódicos que circularam no Rio no período da chamada Primeira República, constituíram espaços privilegiados para o debate em torno deste e de muitos outros problemas que marcaram o cotidiano dos habitantes da cidade. Proponho-me aqui a desenvolver uma breve reflexão em torno das visões sobre as habitações populares, expressas por escritores de significativa projeção no campo intelectual carioca da época, buscando, não apenas, identificar as diferentes percepções que revelaram neste sentido, mas também as contradições e ambiguidades de seus próprios olhares. A hipótese central da investigação é a de que tais percepções revelam diferentes compreensões sobre a realidade social da cidade e de seus habitantes pertencentes às classes trabalhadoras comprometidas com projetos políticos de modernização da capital republicana também distintos entre si. Entre os escritores selecionados figuram Coelho Netto, João do Rio, Lima Barreto, Benjamin Costallat, Aluísio de Azevedo e Orestes Barbosa.

Palavras-chave

habitações populares, intelectuais, cidade do Rio

PDF

Biografia do Autor

Magali Gouveia Engel

Doutora em História pelo Programa de Pós Graduação em História da UNICAMP. Professora adjunto da UERJ.


Referências

  1. ABREU ESTEVES, Martha. Meninas perdidas. Os populares e o cotidiano do amor no Rio de Janeiro da Belle Époque. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989.
  2. BELCHIOR, Pedro. Tristes subúrbios: literatura, cidade e memória na experiência de Lima Barreto (1881-1922). Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2011.
  3. BOURDIEU, Pierre. Campo intelectual e projeto criador. In: Vários. Problemas do estruturalismo. Rio de Janeiro: Zahar, 1968.
  4. CHALHOUB, Sidney. Cidade febril. Cortiços e epidemias na corte imperial. São Paulo: Cia das Letras, 1996.
  5. DAMAZIO, Sylvia F. Retrato social do Rio de Janeiro na virada do século. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1996.
  6. GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Os intelectuais. O princípio educativo. Jornalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006 (4ª ed.), Vol. II.
  7. ENGEL, Magali Gouveia. Modernidade, dominação e resistência: as relações entre capital e trabalho sob a ótica de João do Rio. Tempo: Departamento de História-UFF, Rio de Janeiro, Vol. 9, n. 3, p. 53-78, jul. 2004.
  8. MATTOS, Rômulo C. Os “trágicos asilos da miséria”: habitações populares e literatura na Belle Époque carioca. Revista do Mestrado em História. Vassouras, v. 12, n. 1, p. 55-70, jan./jun. 2010.
  9. MOTTA, Marly Silva da. O “Hércules da prefeitura” e o “demolidor do Castelo”: o Executivo municipal como gestor da política urbana da cidade do Rio de Janeiro. In: Oliveira, Lúcia Lippi (org.). Cidade: história e desafios. Rio de Janeiro: Ed. FGV, p. 194-211. 2002.
  10. NEVES, Margarida de Souza. O povo na rua: um “conto de duas cidades”. In: Pechman, Robert Moses (org.). Olhares sobre a cidade. Rio de Janeiro: Ed.UFRJ, p. 135-155. 1994.
  11. Rio de Janeiro. Secretaria Municipal de Urbanismo. Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos. Planos urbanos. Rio de Janeiro. O século XIX. Rio de Janeiro: IPP, 2008.
  12. ROCHA, Oswaldo Porto. A era das demolições: cidade do Rio de Janeiro, 1870-1920. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural, 1986.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.